Capoeira Regional

Texto de Mestre Fuinha

Mestre Bimba Manoel dos Reis Machado 23/11/1900 - 05/02/1974
Mestre Bimba
Manoel dos Reis Machado
23/11/1900 – 05/02/1974

Por volta do final da década de 20, Mestre Bimba, Manoel dos Reis Machado (1899 – 1974), famoso e respeitado capoeirista, criou a Capoeira Regional.

A chegada de outras lutas no país colocou em prova a eficiência da Capoeira frente às artes marciais orientais. Mestre Bimba percebia um caminho difícil para a capoeira até então praticada, já que era intensamente voltada para o turismo através de apresentações artísticas na Bahia. O objetivo do Mestre foi resgatar os potenciais de luta, datados da origem da capoeira, como luta de libertação. Então, Mestre Bimba realizou mudanças na concepção daquela capoeira primitiva.

Resolveu incluir golpes de outras lutas, como o Batuque, criando um método de ensino próprio. O “jogo” ficou mais em pé e mais ofensivo. Chamou-a de Capoeira Regional. Os golpes e esquivas se sucedem conforme as sequências de treinamento, partindo de uma ginga mais ereta que a da Capoeira primitiva.

Outra mudança feita por Mestre Bimba foi a inclusão do batismo do iniciante. O iniciante tinha madrinha e padrinho para marcar esta cerimônia de entrada, na qual o aluno calouro recebe sua primeira graduação.  Hoje, o padrinho muitas vezes é o mestre ou professor que joga com o calouro no momento do batismo.

Depois de seis meses Mestre Bimba formava seus alunos. Para a formatura tinham paraninfos e oradores. Uma verdadeira apropriação dos rituais acadêmicos, colocando a capoeira como civilizada e organizada.

Junto com o sistema de ensino, estas inovações, algumas com rupturas, como a não utilização do atabaque nas rodas (os instrumentos mais utilizados eram um berimbau e dois pandeiros), Mestre Bimba consegue tirar a capoeira da marginalidade e promovê-la a esporte nacional, principalmente pelo apoio do segundo governo de Getúlio Vargas.

A criação da Capoeira Regional proporcionou uma reviravolta na concepção, até então marginal, da capoeira. Mestre Bimba conseguiu um reconhecimento para sua arte, tirando-a do código penal. Considerada um esporte nacional, sua liberação proporcionou uma ploriferação crescente de academias de capoeira.

Em 2008 a capoeira recebeu o título de patrimônio cultural brasileiro pelo IPHAN e, em 2010 foi considerada esporte pelo Estatuto de Igualdade Racial. Ambos reconhecimentos que, apesar de tardios, eram objetivos de todos os capoeiristas antigos, os precursores de uma história. Capoeiristas que sofreram toda a perseguição possível, mas que plantaram as sementes que a partir de agora podem ser colhidas por todo o mundo.