Origem da Capoeira

Texto Mestre Fuinha
Grupo Cordão de Ouro de Belo Horizonte

Quanto à palavra Capoeira, tem-se os seguintes registros:

“O nome capoeira designava o mato onde os negros fugitivos se entrincheiravam e exerciam seus treinos, sendo também o nome de uma ave cujos machos, ao lutarem entre si pela posse da fêmea, pareciam reproduzir a simulação que faziam os escravos ao se divertir.”(Anande, 1983, p.18).

Em Nestor (1946, p.17), encontra-se os seguintes registros:

“José de Alencar, por volta de 1880, propunha que o vocábulo vinha do tupi caa-apuam-era, ilha de mato já cortado; Beaurepaire propunha o tupi co-puera, roça velha; Macedo Soares refutava ambos com violência, propondo o guarani caa-puera, mato miúdo que nasceu no lugar de mato virgem que foi cortado.”

Assim como a palavra, quanto à origem da capoeira propriamente dita, existem inúmeras e diferentes posições. Mestre Pastinha (1964, p.29)
coloca uma visão radical. “Não há dúvidas que a Capoeira veio para o Brasil com os escravos africanos.” Mestre Noronha (1993, p.120) reafirma: “A capoeira veio da África trazida pelo africano todos nóis sabemo disco porém não era educada quem educor ella famos nois bahiano para sua defeiza pessoal”.

Seria mais lógico afirmar que a capoeira tem origens brasileiras, no entanto, criada por negros africanos. As origens africanas da população negra eram variadas nas senzalas e também nos quilombos, pelo fato do sistema operante da época evitar manter um grande número de negros oriundos de uma mesma etnia, em uma mesma propriedade, mesmo dentro dos porões dos navios negreiros. (Ribeiro,1922) Então, pode-se concordar com Mestre Nestor (Capoeira,1946), quando afirma que a capoeira surgiu a partir da fusão de uma série de particularidades de diferentes tribos.

“Vamos propor que a capoeira seria uma mistura de diversas lutas, danças, ritmos e instrumentos musicais – de diferentes etnias africanas -, sintetizada aqui no Brasil após o ano de 1830, em oposição à idéia corrente de ser única forma de luta negra que se disfarçou em dança”. (Capoeira, 1946, p.15)

Outros mestres acreditam que a capoeira é uma invenção africana em terras brasileiras em função das necessidades e circunstâncias que o sistema colonial impunha. Relacionam o surgimento da capoeira como uma “arma” de defesa contra a forte opressão do sistema. E, simultaneamente, como folguedo para a manifestação dos sentimentos da massa oprimida. (Anade,1983)

Assim vão se sucedendo várias interpretações dos Mestres, nesta discussão aparentemente sem fim em torno da capoeira, que ao mesmo tempo se apresenta como arma e como dança. Como luta é também considerada brincadeira. Como destreza corporal é vista como folguedo. Como cultura é associada também à educação. Muitos também são os pesquisadores que, com competência, estão estudando e discernindo este vasto assunto.
Referências Bibliográficas:

ANANDE, das Areias. O que é Capoeira. 4ª ed., editora Tribo, 1983.

CAPOEIRA, Nestor, 1946. Capoeira: os fundamentos da malícia. Rio de Janeiro: Record, 1992.

COUTINHO, Daniel. O ABC da Capoeira Angola: Os manuscritos do Mestre Noronha. Brasília, Centro de Informação e Documentação sobre Capoeira, 1993.

MACACO, Mestre. Apostila do “I Ciclo de Estudos Ginga. Terra: A Capoeira em questão – Belo Horizonte. Ginga: Ginástica e Capoeira,1985.

PASTINHA, Vicente Ferreira. Capoeira Angola. Ecola Gráfica Nossa Senhora de Lorêto, Salvador,1964.

REGO, Waldeloir. Capoeira Angola: ensaio sócio-etnográfico. Editora Itapuã, Salvador, 1968.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Companhia das Letras, São Paulo, 1922.

SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A negregada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro 1850-1890. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura. Departamento Geral de Documentação e Informação Cultural. Divisão de Editoração. 1994.

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